Bem-Estar

Sexo antes do futebol pode ser benéfico para jogador

Médica do esporte afirma que atividade sexual não é vilã das partidas. O problema está nas noitadas, consumo de álcool e poucas horas de sono.

A Copa do Mundo está se aproximando e um dos assuntos que vêm à tona é se o técnico deve ou não permitir que os jogadores façam sexo durante o período dos jogos. O tema é polêmico, e mesmo dentro do meio médico há divergência de opiniões. Chiara Brandão, cardiologista e especialista em medicina esportiva explica que a relação sexual em si não traz nenhum prejuízo à saúde do atleta ou ao seu desempenho físico durante a partida, mas o grande problema, que faz com que muitos países proíbam a prática em suas delegações, está nos exageros e os reflexos na concentração da equipe.
“Não vejo como preocupação um possível esforço, até porque esses atletas são muito bem preparados fisicamente, estão aptos a correr os 90 minutos do jogo. Aliás, fazer sexo no dia anterior à partida pode ser uma forma importante de liberar o estresse e driblar a ansiedade. O que gera dúvidas entre os membros da equipe técnica da seleção é se o fato de liberar os encontros e as relações sexuais pode mudar o foco dos jogadores e tirá-los daquele clima de expectativa e garra de ganhar a partida, bem como estimular os excessos”, diz.
O ex-técnico da seleção brasileira, Liz Felipe Scolari, o Felipão, era um dos que liberava os jogadores durante as folgas para receber visitas, com permissão de encontros em quartos individuais, inclusive. Mas, há técnicos mais rígidos que proíbem em qualquer circunstância porque acreditam que o momento é de foco total no esporte.
“A questão é que se o técnico libera para um, tem que liberar para o grupo todo. E uma coisa é o jogador se encontrar com a(o) parceira(o), matar a saudade e pronto. Outra coisa é aproveitar essa permissão para sair, ficar até tarde na balada, ingerir álcool e ainda fazer sexo para fechar com chave de ouro. Neste caso, o pacote é prejudicial e o resultado é desastroso. O álcool, por exemplo, pode causar desidratação nos músculos e provocar uma lesão importante. Se tiver de ressaca então, pior ainda, fica impossível de jogar com tonturas, náusea e enxaqueca. E é por isso que muitos técnicos acabam proibindo, não necessariamente pelo sexo em si”, diz a médica.
Em termos fisiológicos, o sexo pode de fato ser uma boa alternativa para aliviar a tensão. Em primeiro lugar, seu gasto energético não é alto: 150 calorias, em média, o mesmo que dar uma caminhada leve de 30 minutos. Ou seja, um impacto bem mais suave do que o próprio treino dos atletas. Além disso, o sexo é capaz de garantir uma boa noite de sono, o que é fundamental para garantir o vigor físico do jogador na hora da partida.
“Independentemente de o técnico liberar a atividade sexual ou não, o mais importante de tudo é o atleta respeitar seu corpo e sua própria experiência. Por isso, ainda que liberado, se o jogador já sabe que o sexo tira sua concentração, o deixa cansado ou prejudica aquele clima de ansiedade positiva antes da partida, o melhor é não fazer. Mas se for liberado e o atleta sentir que é uma arma poderosa para diminuir a preocupação, vá em frente. Reitero que o sexo não prejudica, mas cada um sabe qual o efeito em seu corpo e mente”, conclui.

*Chiara Brandão é cardiologista e médica do esporte

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