Bem-Estar

Atenção aos vícios posturais pode evitar a tontura cervical

Com a guinada de mudança de estilo de vida, a incidência de tontura cervical tem crescido exponencialmente e afeta cada vez mais os jovens. O problema atinge 10% dos adultos. Em geral, os pacientes estão na faixa etária entre 30 e 70 anos.

Embora pouco divulgada, a tontura cervical – associação entre tontura, dor cervical e amplitude de movimento do pescoço limitada/reduzida/restrita – pode também vir acompanhada de dor de cabeça e estar relacionada a quadros de contratura e espasmo da musculatura cervical. Os vícios e limitações posturais estão entre as causas.

Segundo Dra. Jeanne Oiticica, especialista em Otorrinolaringologia e Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, existem muitos casos diagnosticados após trauma cervical ou wiplash (uma lesão comum no pescoço após, por exemplo, acidentes automobilísticos em que ocorre movimento cervical brusco em chicote), outros associados à inflamação, degeneração ou disfunção mecânica da coluna cervical. Lesão de vértebra cervical, degeneração de disco intervertebral ou até mesmo compressão do fluxo sanguíneo da artéria vertebral e ou do sistema nervoso simpático estão entre as possíveis causas.

Sintomas – A tontura pode ser do tipo vertigem, instabilidade, desorientação espacial ou desequilíbrio relacionado à dor ou ao movimento de pescoço. Pode haver ainda torcicolo, contratura espástica da musculatura do pescoço. O paciente pode adotar uma postura rígida, movimentos em monobloco, para limitar o deslocamento e o consequente desconforto associado. Além da tontura, o paciente pode apresentar visão embaçada, cefaléia, náuseas, vômitos e em alguns casos até desmaio.

“Acredita-se que a informação proprioceptiva (músculos, tendões, articulações, ligamentos) do pescoço, que se integra (conversa com) à informação de equilíbrio no núcleo vestibular (tronco cerebral), resulte em representação inacurada da posição da cabeça e pescoço no espaço, conflito sensorial. Outra possibilidade é a de que os sinais de dor, provenientes das estruturas proprioceptivas do pescoço, também devam contribuir para tal incongruência”, relata Dra. Jeanne.

Diagnóstico – Como diferenciar uma tontura cervical de uma labirintite, por exemplo? A especialista explica que o diagnóstico é feito por exclusão. Portanto, outras labirintopatias precisam ser investigadas e devidamente descartadas como responsáveis pelos sintomas do paciente, antes que o diagnóstico de tontura cervical possa ser confirmado. A história clínica do paciente e exames complementares podem ser solicitados. “Não existe um exame único que seja confirmatório para tal diagnóstico”, explica a especialista.

No tratamento, os especialistas em Otorrinolaringologia, Ortopedia, Fisioterapia, Otoneurologia, Fisiatra, entre outros profissionais, trabalham de forma multidisciplinar. O tratamento pode envolver medicamentos (anti-inflamatórios, bloqueadores de canal de cálcio, entre outros), fisioterapia, procedimento cirúrgicos, agulhamento a seco e acupuntura.

Gostou Compartilhe